Vende bebidas artesanais para complementar renda? Descuidos com metanol podem virar prejuízo e multa pesada

Pequenos produtores e revendedores que encontraram na venda de cachaça artesanal ou outras bebidas alcoólicas uma fonte de renda extra devem redobrar a atenção: testar o produto em casa ou ignorar protocolos de fiscalização pode resultar em intoxicação de clientes, perdas financeiras e penalidades criminais.

O que mudou

Em alerta divulgado nesta semana, o Conselho Federal de Química (CFQ) reforçou que rótulos adulterados com metanol continuam circulando no mercado. A entidade explica que até os testes “caseiros”, como cheirar ou provar a bebida, oferecem risco de intoxicação.

Por que isso afeta seu bolso

Além do risco à saúde dos consumidores, a presença de metanol coloca em jogo a reputação – e o fluxo de caixa – de quem vê nas bebidas artesanais uma oportunidade de faturar. De acordo com o CFQ, operações irregulares podem levar a:

  • Multas por infração sanitária;
  • Apreensão de estoque e interdição do estabelecimento;
  • Indiciamento por crime de adulteração de alimento, previsto no Código Penal.

Como identificar perigo sem gastar mais

Segundo o analista químico do CFQ, Siddhartha Giese, o primeiro passo é examinar sinais visíveis no produto:

  • Preço muito abaixo do praticado no mercado;
  • Lacres tortos ou reutilizados;
  • Rótulo desalinhado, erros de ortografia ou falta de CNPJ, endereço e lote.

Caso surja desconfiança, a recomendação é não realizar qualquer teste por conta própria. A orientação é registrar denúncia em canais oficiais, como Procon, vigilâncias sanitárias estaduais ou municipais, Polícia Civil ou Conselhos Regionais de Química (CRQs).

Fiscalização apertada – e custos de não cumprir

No Brasil, o metanol é classificado como substância controlada. Seu transporte, armazenamento e venda dependem de autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e monitoramento da Polícia Federal. Qualquer movimentação fora das regras pode travar atividades e gerar processos judiciais, impactando diretamente o faturamento de pequenos negócios.

O que fazer em caso de suspeita de intoxicação

Se um cliente ou colaborador apresentar sintomas, o CFQ orienta ligar imediatamente para o Disque-Intoxicação da Anvisa (0800-722-6001) enquanto busca atendimento médico de emergência.

Para quem apoia a renda familiar com a produção ou revenda de bebidas, seguir as normas e manter documentação em dia é a estratégia mais barata para preservar o negócio – e a saúde de todos envolvidos.

Com informações de InfoMoney

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