Tokenização que paga 132% do CDI ganha força e já gera 30% da receita do Mercado Bitcoin

A modalidade de renda fixa digital baseada na tokenização de ativos vem ganhando espaço como alternativa de rendimento acima do CDI. Segundo o chief financial officer (CFO) do Mercado Bitcoin (MB), André Gouvinhas, o segmento já representa cerca de 30% do resultado da maior exchange cripto do país.

Em conversa com jornalistas em São Paulo, Gouvinhas revelou que 40% do quadro de funcionários do MB está dedicado à área de tokenização. “Hoje, 30% do nosso resultado vem da tokenização de ativos”, afirmou o executivo.

Rentabilidade de até 132% do CDI

De acordo com Henrique Pocai, diretor comercial do MB, os tokens de renda fixa distribuídos pela plataforma entregaram rentabilidade média de 132% do CDI em 2025. Com a taxa básica variando em torno de 15% ao ano, o retorno médio chega perto de 20% para o investidor.

Emissões somam R$ 2 bilhões

Desde 2019, a exchange realizou aproximadamente 350 emissões tokenizadas, alcançando R$ 1 bilhão distribuído entre 2019 e 2024 e outro R$ 1 bilhão apenas em 2025. A meta para este ano é chegar a R$ 1,5 bilhão em novas captações.

Entre os projetos recentes, destaca-se um token imobiliário lastreado em um imóvel de R$ 23 milhões, com remuneração de IPCA + 13%. Outro exemplo é o primeiro token internacional da plataforma, estruturado com a startup Billor nos Estados Unidos, que paga dólar + 8% ao ano.

Perfil dos investidores

A operação atende três frentes: varejo, alta renda (a partir de R$ 300 mil) e um segmento de patrimônio ainda maior que busca atendimento personalizado para criptoativos e tokens. No mercado B2B, o MB mantém mais de 100 parceiros distribuindo ofertas.

Regulação em debate

No Brasil, a tokenização é regida principalmente pela Resolução CVM 88, que autoriza emissões via crowdfunding mas limita o perfil das empresas, o volume captado e o mercado secundário. A Comissão de Valores Mobiliários abriu nesta semana consulta pública para rever essas regras, propondo ampliar emissores, elevar tetos de captação e permitir recompra de valores mobiliários.

Especialistas avaliam que a revisão busca equilibrar inovação e proteção ao investidor. Entre os riscos apontados estão crédito — por não haver cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — e liquidez restrita, já que tokens emitidos pela CVM 88 não têm negociação livre em bolsa, exigindo que o investidor carregue o ativo até o vencimento.

Com informações de InfoMoney

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