Prevenção que vale dinheiro: como evitar doenças pode poupar até R$ 45 bi em planos de saúde e proteger seu orçamento
Um novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) acende o alerta para o impacto financeiro das doenças crônicas na vida dos brasileiros e no bolso de quem paga plano de saúde. A pesquisa mostra que, se nada mudar, o custo médio por beneficiário pode saltar 42% em dez anos, passando de R$ 2,2 mil em 2020 para R$ 3,1 mil em 2030 — muito acima da projeção de crescimento do PIB per capita, estimada em 7,7% no mesmo período.
Esse avanço de despesas está ligado ao envelhecimento da população. Segundo o IBGE, a expectativa de vida deve chegar a 77,8 anos até 2030. Porém, o tempo vivido com qualidade — livre de limitações causadas por doenças — não cresce no mesmo ritmo. A lacuna entre vida e saúde (healthspan-lifespan) já soma 9,6 anos no mundo e pode atingir 16 anos até 2035, pressionando ainda mais os gastos médicos.
Obesidade vira vilã do orçamento familiar
Caso as tendências atuais se mantenham, a obesidade poderá atingir 46% dos usuários de planos em 2030. Hoje, o problema já responde por quase 10% de todo o desembolso da saúde suplementar. Se o cenário se confirmar, mais da metade das despesas assistenciais ficará concentrada nesse grupo, refletindo em reajustes mais pesados nas mensalidades e menos dinheiro disponível para outras metas financeiras — da reserva de emergência ao investimento para aposentadoria.
Economia potencial de R$ 45 bilhões ao ano
O estudo aponta que quatro pilares — medicina preventiva, inovação tecnológica, cuidado baseado em valor e sustentabilidade sistêmica — poderiam gerar economia de até R$ 45 bilhões anuais até 2035. Para o consumidor, isso significa menor pressão sobre os reajustes e chance de direcionar o dinheiro poupado para quitar dívidas, investir ou criar novas fontes de renda.
Números que pesam no bolso
- Obesidade entre beneficiários subiu de 12,5% em 2008 para 21,9% em 2023.
- Diabetes passou de 5,8% para 9,8% no mesmo intervalo.
- Hipertensão permanece alta: 26,3% dos usuários.
- Excesso de peso já atinge 60,9% de quem possui plano de saúde.
Apesar da queda do tabagismo (de 12,4% para 6,8%), sedentarismo e má alimentação continuam elevando os custos médicos. Mulheres respondem por 60% das despesas ligadas à obesidade e enfrentam mais anos de morbidade, evidenciando desigualdades que também influenciam o preço final dos planos.
Imagem: Internet
Por que agir agora faz diferença no seu bolso
Para José Cechin, superintendente executivo do IESS, o atual modelo remunerado por procedimento encarece o sistema e, consequentemente, a mensalidade. “A conta simplesmente não fecha”, diz. Investir em prevenção — de check-ups regulares a programas de atividade física — pode limitar o avanço das doenças crônicas e aliviar futuros reajustes, liberando recursos que podem ser aplicados em renda extra, investimentos ou educação financeira.
Em resumo, cuidar da saúde hoje não é apenas uma escolha de bem-estar, mas uma estratégia financeira crucial para proteger o orçamento diante de custos médicos que crescem muito acima da renda média do brasileiro.
Com informações de InfoMoney
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