Ouro ultrapassa US$ 4 mil e ganha holofote de quem busca diversificar renda e proteger patrimônio
Quem busca formas de proteger ganhos e diversificar fontes de renda recebeu um sinal inédito nesta quarta-feira ( data original ): o ouro à vista superou a marca histórica de US$ 4 000 por onça.
O movimento ocorreu quando a cotação avançou 0,4%, tocando US$ 4.001,11, estimulada por temores sobre a economia dos Estados Unidos e pelo risco de paralisação do governo (shutdown). É a primeira vez que o metal precioso, tradicionalmente usado como reserva de valor, rompe esse patamar — há apenas dois anos o preço estava abaixo de US$ 2 000.
Por que o recorde interessa a quem busca renda extra?
De janeiro até agora, o ouro já acumula alta superior a 50%, superando largamente o retorno médio das ações no mesmo período deste século. A valorização tem sido acompanhada pelo ingresso de recursos em fundos negociados em bolsa (ETFs) atrelados ao metal, que registraram em setembro o maior fluxo mensal em mais de três anos.
Segundo analistas, o avanço é impulsionado por três fatores principais:
- Incerteza fiscal dos EUA e possível shutdown, que elevam a procura por ativos de proteção;
- Tensões geopolíticas, que reforçam a busca por segurança contra choques de mercado;
- Expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve, cenário que costuma favorecer ativos que não rendem cupons, como o ouro.
Compras de bancos centrais reforçam o movimento
Bancos centrais, que já vinham migrando de vendedores para compradores líquidos desde a crise de 2008, dobraram o ritmo de aquisição após o congelamento das reservas russas em 2022. A estrategista de commodities Lina Thomas, do Goldman Sachs, destaca que esse apetite deve continuar por pelo menos mais três anos.
Para Charu Chanana, estrategista da Saxo Capital Markets, a barreira dos US$ 4 000 simboliza não apenas medo, mas uma “realocação” de portfólio. Rendimentos reais menores nos EUA e avaliações esticadas em ações ligadas à inteligência artificial fazem investidores reforçarem posições no metal.
Contexto histórico
Saltos expressivos no preço do ouro acompanham grandes estresses econômicos. O metal ultrapassou US$ 1 000 após a crise financeira global, chegou a US$ 2 000 durante a pandemia de Covid-19 e rompeu US$ 3 000 quando o governo Trump anunciou tarifas globais.
Imagem: Internet
Agora, a nova máxima ocorre em meio às críticas recentes do ex-presidente Donald Trump ao Federal Reserve e a temores de interferência política na condução monetária. Analistas do Macquarie Bank estimam que o ouro pode atingir um pico cíclico se aumentarem as dúvidas sobre a independência do Fed.
Com o desempenho atual, o metal caminha para seu melhor ano desde a década de 1970, período em que multiplicou seu valor por 15 diante de inflação acelerada e mudanças no padrão-ouro.
Stephen Miller, estrategista da GSFM, avalia que o movimento ainda está em estágio inicial e projeta cotações em torno de US$ 4 500 até meados do próximo ano, reforçando o papel do ouro como peça de diversificação em carteiras de investimento.
Com informações de InfoMoney
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