Ouro dispara e gera “renda invisível” de US$ 3,8 tri para famílias indianas

Nova Délhi, 10 mai – A recente valorização de mais de 50% no preço global do ouro em 2024 transformou reservas guardadas em residências indianas em um patrimônio estimado em quase US$ 3,8 trilhões, segundo relatório do Morgan Stanley. O volume acumulado no país chega a 34.600 toneladas, equivalente ao peso de mais de 6 mil elefantes.

“Efeito riqueza” reforça o orçamento doméstico

As economistas Upasana Chachra e Bani Gambhir apontam que a disparada das cotações está criando um verdadeiro efeito renda extra nos balanços familiares. O metal precioso funciona como poupança de longo prazo, reserva de emergência e também como símbolo de prosperidade em rituais religiosos, casamentos e festivais, onde é tradicionalmente oferecido como presente.

Patrimônio supera estimativas anteriores

O cálculo do banco supera com folga a estimativa divulgada em julho de 2023 pelo World Gold Council, que apontava cerca de 25 mil toneladas nas residências indianas. Com o novo número, a Índia confirma sua posição como segundo maior consumidor de ouro do planeta.

Fatores que puxam a alta

No mercado internacional, o metal já ultrapassou US$ 4.000 por onça, registrando o maior avanço anual desde 1979. O movimento é impulsionado por compras de bancos centrais, tensões geopolíticas e a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve.

Internamente, o país acompanha os preços globais porque depende da importação para atender à demanda. O Banco Central da Índia (RBI) reforçou o otimismo ao adquirir cerca de 75 toneladas desde o início de 2024, elevando suas reservas para 880 toneladas, o equivalente a 14% das reservas internacionais indianas.

Política monetária e impostos ajudam o bolso

O Morgan Stanley ressalta que o “efeito ouro” ganha impulso adicional com o ciclo de cortes de juros promovido pelo RBI e a redução de tributos sobre o consumo anunciada pelo governo. Esses fatores ampliam o ganho patrimonial das famílias, que veem no metal uma alternativa para proteger e potencializar seu poder de compra.

Embora o cenário seja específico da cultura indiana, o fenômeno evidencia como ativos físicos podem funcionar como proteção de valor e até gerar um “bônus” financeiro inesperado em momentos de forte valorização.

Com informações de InfoMoney

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