Fufuca e Sabino mantêm ponte com o Centrão e podem destravar reajuste da isenção do IR que aumenta a renda líquida do trabalhador

Brasília – A permanência dos ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo) no governo federal tornou-se peça estratégica para pautas que mexem diretamente no bolso da população, como o reajuste da faixa de isenção do Imposto de Renda.

Quem são os articuladores

Fufuca (PP) e Sabino (União Brasil) enfrentam processos internos de expulsão por não acatarem a ordem de suas siglas para deixar o primeiro escalão. Apesar disso, seguiram prestigiados pelo Planalto e passaram a atuar como principais interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Centrão.

Por que importa para sua renda

Com trânsito nas bancadas de centro-direita, os dois ministros ajudam a garantir votos em projetos econômicos e fiscais. Um dos temas que dependem desse apoio é a ampliação da isenção do Imposto de Renda, compromisso de Lula para aumentar a renda líquida dos trabalhadores até 2026.

Pressão e lealdade

No último domingo (5), expirou o prazo dado pelo PP para Fufuca entregar o cargo. Na segunda-feira (6), ao lado de Lula em Imperatriz (MA), o ministro reforçou publicamente sua lealdade: “Eu tô com Lula”. A declaração foi interpretada como desafio à cúpula partidária.

Celso Sabino vive situação semelhante. Mesmo após apresentar carta de demissão em setembro, voltou atrás a pedido do presidente e continua representando o governo em agendas oficiais, inclusive na organização da COP30 em Belém (PA).

Riscos políticos x impacto econômico

Se ambos deixarem os cargos ao mesmo tempo, parlamentares veem chance de o Centrão endurecer votações de interesse fiscal, atrasando medidas que podem elevar a renda disponível da população, como:

  • Revisão progressiva da tabela do IR;
  • Programas de crédito a juros reduzidos para microempreendedores;
  • Ampliação do Bolsa Família e Vale-Gás.

Ao mantê-los, Lula tenta preservar maioria mínima no Congresso e evitar retrocessos que emperrem projetos de alívio financeiro para famílias de baixa e média renda.

Próximos passos

Embora os processos disciplinares continuem, dirigentes de outras legendas já sondam Fufuca e Sabino, abrindo caminho para novas alianças que reforcem a base governista. Caso o apoio se confirme, a expectativa é que propostas como a correção da faixa de isenção — hoje em R$ 2.112 — avancem ainda no primeiro semestre de 2024, aumentando o dinheiro que fica no bolso de quem ganha até dois salários mínimos.

Até lá, a estabilidade dos dois ministros seguirá como termômetro de governabilidade e, por extensão, da chance de medidas de renda extra saírem do papel.

Com informações de InfoMoney

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