Economia que vira prejuízo: corrida por bebidas “baratinhas” gera 225 intoxicações e ameaça seu bolso

São Paulo, 6 de novembro de 2023 – A busca por preços baixos em bebidas alcoólicas, vista por muitos consumidores como forma de economizar, transformou-se em pesadelo financeiro e de saúde para ao menos 225 brasileiros. Dados do Ministério da Saúde apontam crescimento das intoxicações por metanol, substância tóxica usada na adulteração de destilados populares.

O levantamento, divulgado neste domingo (5), confirma 16 casos e mantém outros 209 em investigação em 13 unidades da federação, com 15 mortes notificadas. O estado de São Paulo concentra a maior parte dos registros: 14 confirmações e 178 suspeitas.

Quando a “boa oferta” pesa no bolso

Especialistas do Procon-SP alertam que preços muito abaixo da média – prática comum em vendas informais e promoções agressivas – devem ser vistos como sinal de perigo. A compra aparentemente econômica pode resultar em gastos emergenciais com hospitalização, perda de dias de trabalho e, em casos extremos, morte.

“Desconfie de ofertas que prometem destilados importados a valores irreais”, recomenda o órgão. A orientação mira consumidores que, após reduzir custos na gôndola, acabam arcando com despesas médicas e comprometendo a renda familiar.

Caso crítico expõe custo real da adulteração

Em São Bernardo do Campo (SP), a vendedora Bruna Araújo de Souza, internada desde 29 de setembro, gravou áudios relatando mal-estar intenso após ingerir vodca em um show de pagode. A jovem chegou ao hospital em estado grave e permanece em condição crítica, segundo a direção da unidade.

Caso similar ocorreu na capital paulista, onde dois homens de 54 e 46 anos morreram após consumo de bebidas contaminadas. Na soma, a cidade de São Paulo registra 11 casos confirmados e outros 85 sob apuração.

Checklist financeiro para não “pagar duas vezes”

Para evitar que a economia se transforme em prejuízo, o Procon-SP e a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) recomendam:

  • Comprar apenas em estabelecimentos de referência e exigir nota fiscal para garantir rastreabilidade;
  • Verificar lacre, rótulo, CNPJ e número de lote – erros de impressão e selos danificados indicam risco;
  • Conferir registro no Mapa e selo do IPI em bebidas nacionais e importadas;
  • Desconfiar de reduções drásticas de preço, sobretudo em destilados premium;
  • Em bares, solicitar que a bebida seja aberta na mesa;
  • Buscar atendimento médico imediato diante de sintomas como visão turva, dor de cabeça intensa, náusea ou tontura.

O Disque-Intoxicação (0800 722 6001) da Anvisa está disponível para orientar consumidores. Autoridades reforçam que o atendimento em até seis horas após os primeiros sintomas é vital para evitar sequelas graves, que podem gerar custos ainda maiores com tratamentos de longo prazo.

Na contramão da renda extra, a aparente “vantagem” de pagar menos por uma bebida irregular pode representar desembolso muito superior – financeiro e emocional – para famílias afetadas.

Com informações de InfoMoney

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