Dólar pode cair até 10% em 3 anos, aponta ex-FMI; projeção acende alerta para ganhos em moeda estrangeira
São Paulo, 29.set.2024 — Quem recebe pagamentos em dólar, faz importações ou mantém reservas na moeda norte-americana ganhou um novo dado para o radar financeiro. O ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e professor de Harvard, Kenneth Rogoff, afirmou nesta segunda-feira (29) que o dólar deve se desvalorizar “no mínimo entre 5% e 10%” nos próximos dois ou três anos.
O comentário foi feito durante evento promovido pelo Itaú BBA, na capital paulista. Rogoff reconheceu que projeções cambiais são difíceis, mas destacou que há um ponto fora da curva: “Quando a moeda se afasta muito do seu poder de compra, costuma haver correção. É o que vejo com o dólar agora”.
Motivos citados para a provável queda
O ex-chefe do FMI relacionou a possível perda de valor do dólar a políticas adotadas nos últimos anos pelo governo Donald Trump. Segundo ele, a administração republicana substituiu o soft power tradicional dos Estados Unidos por uma postura mais combativa, o que estaria pressionando a confiança internacional na divisa.
“Vejo o governo lutando pelo dólar, mas, na minha avaliação, da forma errada”, declarou. Rogoff acrescentou que a velocidade da execução dessa estratégia impressiona: “Ele fez em sete ou oito anos o que outros tentariam em três ou quatro”.
Sistema financeiro mais multipolar
Para Rogoff, a economia global caminha para um arranjo multipolar, com maior espaço para o euro, moedas asiáticas e criptoativos. O professor lembrou que o dólar foi alçado ao topo do sistema monetário após a Segunda Guerra Mundial, mas passou a perder participação como reserva internacional a partir da década de 1970.
O avanço de plataformas digitais em regiões como Brasil, Índia, China e Europa reforça esse movimento, na avaliação do economista. “Os países não vão querer depender apenas de transações usando o dólar, nem tê-lo como espinha dorsal da economia”, disse.
Imagem: Internet
Stablecoins em destaque
Ao abordar as inovações financeiras, Rogoff mencionou o crescimento das stablecoins — moedas digitais atreladas a ativos estáveis, como o próprio dólar. Ele citou estimativas dele e do Banco Mundial que apontam participação de 20% ou mais dessas moedas na economia global, alertando para a falta de auditoria robusta que poderia facilitar a sonegação fiscal.
Mesmo admitindo a relevância dos EUA no desenvolvimento de inteligência artificial — fator que tende a elevar a produtividade do país —, Rogoff reiterou sua projeção: “Ainda assim, acredito que o dólar vai cair muito”. Para quem opera receitas ou despesas dolarizadas, o possível recuo da moeda adiciona um componente extra de atenção no planejamento financeiro para os próximos anos.
Com informações de InfoMoney
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