Dívida pública em alta pode reduzir o ganho real de quem busca renda extra, alerta economista
Quem busca proteger ou ampliar a própria renda precisa ficar atento ao ritmo dos gastos do governo. O pesquisador associado do Insper e mentor do antigo teto de gastos, Marcos Mendes, afirmou que o novo arcabouço fiscal brasileiro caminha para se tornar inviável e pode pressionar a rentabilidade real de aplicações financeiras.
Em participação no podcast Outliers, do InfoMoney, Mendes lembrou que, desde o início da década de 1990, a despesa primária do país saltou de 11% para 19% do PIB. “Essa pressão estrutural resulta em déficits recorrentes e dificulta a sustentabilidade da dívida pública”, afirmou.
Inflação comeu parte da dívida — e dos rendimentos
O economista destacou que a última onda inflacionária, entre 2021 e 2022, reduziu o peso da dívida, mas “às custas da rentabilidade real dos títulos públicos”. Para trabalhadores autônomos, investidores de renda fixa ou qualquer pessoa que complementa a renda com juros do Tesouro, o recado é claro: ganhos nominais podem ser anulados pela alta de preços quando a política fiscal perde credibilidade.
Despesas avançam acima do limite legal
O novo arcabouço aprovado em 2023 estabelece teto de 2,5% de crescimento real para a despesa, mas, segundo Mendes, o ritmo atual é de 4% ao ano. Entre os principais vetores de expansão estão a valorização real do salário mínimo e a retomada da indexação obrigatória de saúde e educação à receita — mecanismos que elevam automaticamente o gasto conforme a arrecadação cresce.
Risco de ruptura a partir de 2027
Mendes alertou que a regra “já nasceu fragilizada” e pode se tornar insustentável especialmente depois de 2027. Caso o cenário se confirme, o governo tende a recorrer a mais inflação ou aumento de impostos, fatores que afetam diretamente o poder de compra de quem depende de renda extra ou investe para complementar o orçamento.
Propostas de ajuste gradual
Entre as medidas sugeridas, o pesquisador defende corrigir o salário mínimo apenas pela inflação ou desvincular benefícios previdenciários do piso nacional. A mudança geraria economia inicial de R$ 15 bilhões (0,1% do PIB) e, em dez anos, ultrapassaria 1% do PIB.
Imagem: Internet
Ele também citou distorções no regime do Microempreendedor Individual (MEI): “A contribuição mensal é de R$ 70, mas dá acesso a quase todos os benefícios da Previdência. Essa conta não fecha”, disse.
Para Mendes, tanto no Brasil quanto em países como os Estados Unidos, a combinação de déficits persistentes e ausência de reformas amplia a desconfiança dos agentes econômicos. “O problema não é só o número da dívida, mas a incapacidade de gerar credibilidade para que ela seja sustentável”, concluiu.
Com informações de InfoMoney
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