Disputa de US$ 38 bi entre EUA e China pela Argentina põe em evidência minerais raros que atraem investidores

Brasília, 13 de maio de 2024 – A batalha geopolítica entre Estados Unidos e China pela influência econômica na Argentina voltou aos holofotes e coloca no centro do debate ativos estratégicos que já chamam a atenção de quem busca oportunidades de investimento, como lítio e outros minerais raros.

O que aconteceu

Quem: Secretaria do Tesouro dos EUA, governo chinês e o presidente argentino Javier Milei.
O quê: Washington ofereceu um pacote de assistência financeira de US$ 20 bilhões à Argentina, enquanto Pequim mantém uma linha de swap de US$ 18 bilhões com o país sul-americano.
Quando: declarações entre 9 e 11 de maio de 2024.
Onde: entrevistas nos EUA e comunicado da embaixada chinesa em Buenos Aires.
Como: os EUA vinculam o apoio a um possível afastamento de Buenos Aires da influência chinesa; Pequim rechaça e acusa Washington de “mentalidade da Guerra Fria”.
Por quê: a Argentina é vista como peça-chave na cadeia de suprimentos de minerais críticos, insumo que movimenta bilhões e desperta interesse de investidores.

Detalhes do embate

Em entrevista à Fox News na quinta-feira (9), o secretário interino do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que Milei estaria “comprometido em tirar a China do país”. A fala ocorreu enquanto o governo norte-americano negociava a linha de crédito de US$ 20 bilhões destinada a estabilizar o mercado financeiro argentino antes das eleições legislativas de 26 de outubro.

A embaixada chinesa respondeu no sábado (11), via redes sociais, classificando a postura dos EUA como típica da “era da Guerra Fria” e denunciando “intimidação recorrente” sobre países latino-americanos.

A China sustenta hoje um swap cambial de US$ 18 bilhões com Buenos Aires, além de projetos como a construção de uma estação espacial na Patagônia e o aumento do comércio bilateral.

Minerais raros no foco

Durante a entrevista, Bessent ressaltou “a riqueza da Argentina em minerais raros” e citou as restrições recentes impostas por Pequim ao mercado desses insumos. O tema voltou à pauta um dia depois, quando o ex-presidente Donald Trump ameaçou aplicar tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro, caso não haja flexibilização das restrições.

Milei, que manteve retórica crítica à China durante a campanha, suavizou o discurso após assumir e passou a tratar o país asiático como “grande parceiro comercial”. O presidente libertário declarou que Washington não exigiu o fim do swap com Pequim como condição para a ajuda financeira.

A escalada entre EUA e China adiciona volatilidade aos mercados de commodities estratégicas, sobretudo aquelas ligadas à transição energética, segmento acompanhado por investidores que buscam diversificação e potencial de renda extra.

Por ora, não há definição oficial sobre contrapartidas que a Casa Branca possa exigir em troca do pacote de US$ 20 bilhões. Enquanto isso, a Argentina segue no centro do tabuleiro, explorando simultaneamente as ofertas de suas duas maiores parceiras comerciais.

Com informações de InfoMoney

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