Confronto jurídico entre Illinois e Trump trava envio de tropas e coloca gastos públicos na berlinda

Chicago, — O estado de Illinois e a cidade de Chicago acionaram a Justiça federal na segunda-feira para impedir o então presidente Donald Trump de federalizar a Guarda Nacional e enviá-la à região metropolitana. Além de questionar a legalidade da medida, as autoridades locais alertam que a mobilização militar interferiria diretamente na gestão do orçamento estadual, tema sensível para programas de segurança e de apoio econômico voltados à população.

O que está em jogo

A ação aponta que o plano presidencial viola a soberania do estado e o direito de autogovernança, uma vez que a Guarda Nacional passaria a responder diretamente à Casa Branca. Na prática, o envio abriria margem para que recursos federais fossem direcionados à operação militar, enquanto o governo estadual poderia ser obrigado a arcar com contrapartidas logísticas.

Para o procurador-geral de Illinois, Kwame Raoul, qualquer cidade norte-americana “não deve viver sob ameaça de ocupação” em razão de divergências políticas. Já a Casa Branca não se pronunciou imediatamente sobre o processo.

Contexto financeiro

Mobilizações desse porte costumam pressionar os cofres públicos com despesas de deslocamento, manutenção de efetivo e apoio operacional. Ao levar o debate aos tribunais, Illinois tenta manter o controle sobre seu orçamento de segurança – um ponto crucial para administrações estaduais que buscam equilíbrio fiscal e espaço para investir em programas de geração de renda e assistência comunitária.

Disputa nacional

O litígio amplia o embate entre estados governados por democratas e o presidente, que argumenta que cidades como Chicago são “dominadas pelo crime” e incapazes de proteger propriedades federais. Casos semelhantes já foram registrados na Califórnia, Oregon e Washington, D.C., onde juízes bloquearam ou limitaram o uso de tropas em atividades policiais locais.

Documentos apresentados por Illinois destacam declarações de Trump em 30 de setembro, no Pentágono, quando o presidente ameaçou transformar bairros de Chicago em “campos de treinamento” militares. Postagens nas redes sociais com imagens do horizonte da cidade em chamas também foram anexadas como prova de retaliação política.

Próximos passos

O estado pede que o tribunal considere inconstitucional qualquer ordem executiva que autorize o deslocamento das tropas e anule memorandos do governo federal sobre o tema. Caso o impasse avance, a decisão final pode chegar à Suprema Corte dos Estados Unidos, prolongando a indefinição sobre quem financia – e como – operações desse tipo.

Enquanto aguarda a decisão judicial, Chicago prepara medidas próprias de segurança e reforça que “não quer nem precisa de ocupação militarizada”, nas palavras do prefeito Brandon Johnson.

Com informações de InfoMoney

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