China fecha o cerco às terras raras e abre janela de oportunidade para quem busca novas fontes de renda

O Ministério do Comércio da China anunciou na quinta-feira (9/10) que, a partir de 1º de dezembro, qualquer empresa estrangeira só poderá exportar produtos contendo mais de 0,1% de terras raras de origem chinesa — ou fabricados com tecnologia de produção chinesa — mediante licença especial. A medida reforça o domínio de Pequim sobre insumos essenciais à indústria moderna e coloca investidores e profissionais de finanças em alerta para novas rotas de fornecimento e possíveis fontes de renda extra.

O que muda na prática

O país asiático processa mais de 90% das terras raras e ímãs de terras raras usados em setores como tecnologia, montadoras de veículos e defesa. Com a exigência de licença, Pequim passa a ter poder direto sobre o ritmo de produção global desses componentes. O ex-conselheiro da Casa Branca Dean Ball afirmou que a política “dá à China o poder de proibir qualquer país de participar da economia moderna”.

Escalada comercial e impacto financeiro

No dia seguinte ao anúncio, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu com a promessa de aplicar tarifa adicional de 100% sobre a China e restringir exportações de software americano. O embate amplia a volatilidade e pressiona custos de empresas dependentes desses materiais, como montadoras de carros nos EUA, que já tiveram de reduzir produção diante da escassez.

Para quem busca renda extra por meio de investimentos, o novo cenário pode valorizar companhias fora da China capazes de fornecer terras raras ou desenvolver tecnologias alternativas. Michael Froman, presidente do Council on Foreign Relations, observou que, enquanto Washington pode cortar chips atuais, “a China pode dificultar a construção dos chips de amanhã”.

Pressão sobre exportadores chineses

Segundo o economista Robin Brooks, da Brookings Institution, exportadores chineses já enfrentam forte queda de lucros pelas tarifas americanas. O uso das terras raras como instrumento de barganha, portanto, seria uma tentativa de Pequim de recuperar espaço. Ainda assim, o Ministério do Comércio chinês declarou não desejar uma guerra tarifária, mas reforçou que os controles são um “direito soberano”.

Oportunidade para outras cadeias de suprimento

Dean Ball destacou que o estrangulamento do mercado cria chance para novos players. “A oferta é elástica”, escreveu, indicando que países que aceitarem o desafio ambiental e financeiro de explorar terras raras podem preencher a lacuna, gerar empregos e atrair capital.

Com a disputa comercial em aberto, investidores atentos a tendências de renda extra já monitoram mineradoras fora da Ásia, startups de reciclagem de eletrônicos e fundos voltados a metais críticos. O calendário de 1º de dezembro torna a janela de preparação curta — e potencialmente lucrativa para quem agir rápido.

Com informações de InfoMoney

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