Alerta financeiro: esquema de “boi lavado” pressiona JBS e acende sinal vermelho para quem lucra com a cadeia da carne
Quem busca renda no agronegócio ou investe em ações de frigoríficos ganhou um novo motivo de atenção. Uma investigação do Greenpeace revelou que gado criado ilegalmente na Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu, no Mato Grosso, abasteceu indiretamente frigoríficos da JBS entre 2018 e 2025. O caso expõe riscos de multas milionárias, embargos de produção e perda de mercado externo — fatores que podem atingir tanto produtores rurais quanto investidores que apostam na cadeia da carne para diversificar receita.
Entenda o que aconteceu
Quem: o relatório cita o pecuarista Mauro Fernando Schaedler, dono da Fazenda Três Coqueiros II, embargada pelo Ibama e com mais de R$ 3,1 milhões em multas ambientais.
O quê: 1.238 bois teriam saído da área embargada para a Fazenda Itapirana, considerada regular, a menos de 2 km dali. De lá, 2.856 animais seguiram para os frigoríficos da JBS em Água Boa (MT) e Barra do Garças (MT), prática que o Greenpeace chama de “lavagem de gado”.
Quando: movimentações ocorreram entre janeiro de 2018 e fevereiro de 2025.
Onde: Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu, homologada em 2016 e reafirmada pelo STF em maio de 2024, mas ainda alvo de ocupação agropecuária ilegal.
Como: ao transferir animais de uma área embargada para outra sem restrições, o histórico de irregularidades é ocultado antes do abate.
Por quê: a prática permite manter a venda de bois mesmo após autuações ambientais, evitando queda imediata de receita para o produtor envolvido.
Imagem: Internet
Impacto no bolso de quem investe ou produz
Para pequenos pecuaristas que veem na cria e engorda de gado uma fonte de renda extra, o caso reforça a importância da rastreabilidade total. Sem controle sobre fornecedores indiretos, um único lote irregular pode bloquear fazendas, suspender contratos e encarecer financiamentos rurais.
No mercado financeiro, ações de frigoríficos listados em bolsa carregam prêmio de exportação vinculado ao selo ambiental. Qualquer indício de falha no monitoramento cria risco de sanções comerciais na União Europeia, principal mercado de carne bovina de alto valor agregado.
Resposta da JBS
A companhia afirmou que o Greenpeace não comprovou o trânsito direto dos animais da Três Coqueiros II para suas plantas, mas bloqueou preventivamente a Fazenda Itapirana e pediu explicações ao produtor. A JBS diz monitorar 100% dos fornecedores diretos via imagens de satélite e operar, desde 2021, a Plataforma Pecuária Transparente em blockchain para ampliar o rastreio de fornecedores indiretos.
Sem um sistema robusto, a “contaminação” da cadeia pode chegar até supermercados e consumidores, elevando o risco reputacional e financeiro para todos os elos — do investidor de varejo ao produtor que busca ampliar ganhos com a pecuária.
Com informações de InfoMoney
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