Descontos secretos esvaziam aposentadorias: CPI aponta rombo de R$ 800 milhões e ameaça a renda de 71 mil segurados
Brasília, 29/04 — A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) do INSS ouviu nesta segunda-feira (29) o empresário Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade apontada pela Polícia Federal por realizar descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), acusou Lopes de “meter a mão no bolso de aposentados”, colocando em risco a principal fonte de renda de milhares de beneficiários.
R$ 130 milhões para assessor e faturamento multiplicado
Durante o interrogatório, Gaspar questionou o repasse de R$ 130 milhões à conta de Cícero Marcelino, classificado pela CPI como braço direito de Lopes. O relator afirmou que a transferência faz parte de um esquema que já movimentou mais de R$ 800 milhões pela Conafer. Lopes justificou que Marcelino seria “fornecedor de bens e serviços” há 15 anos, sem detalhar quais produtos ou contratos.
Dados apresentados pela comissão indicam que o faturamento da confederação saltou de R$ 6,6 milhões para R$ 40 milhões no período em que os descontos indevidos se intensificaram. Segundo Gaspar, 71 mil ações judiciais já contestam as cobranças não autorizadas que reduziram o benefício mensal de aposentados em todo o país.
Aumento de queixas no INSS desde 2019
Em junho de 2022, o INSS recebeu um ofício relatando a escalada de descontos irregulares em nome da Conafer entre 2019 e 2024 — justamente quando a entidade registrou o maior volume de deduções em folha. Reportagem veiculada pelo Jornal Nacional em maio deste ano mencionou que documentos teriam sido adulterados para viabilizar as cobranças.
Apesar das acusações, Lopes afirmou que a confederação “reparou qualquer dano” por meio de acordos administrativos, atendimentos no Procon, Reclame Aqui e decisões judiciais. Ele também tentou desvincular a Conafer das irregularidades, alegando que o contato direto com aposentados ocorre nas federações e sindicatos ligados à entidade.
Imagem: Internet
O relator comparou Lopes ao empresário Maurício Camisotti, preso por suspeita de fraudes semelhantes: “Hoje descobrimos outro Camisotti”, declarou Gaspar, reforçando as suspeitas de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e organização criminosa.
Até o momento, a CPI mantém foco na recuperação dos valores retidos e na responsabilização dos envolvidos para evitar novas perdas na renda de aposentados e pensionistas, que dependem integralmente dos depósitos do INSS.
Com informações de InfoMoney
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