Pacote de R$ 3 bi de Trump para o carvão acende novas chances de renda e contratos na cadeia energética
WASHINGTON – O governo Donald Trump apresentou nesta segunda-feira (29) um pacote estimado em R$ 3 bilhões para tentar reaquecer a indústria do carvão nos Estados Unidos, iniciativa que pode destravar novas fontes de renda para mineradores, prestadores de serviço e fornecedores da cadeia energética.
O que muda na prática
Departamento do Interior – A pasta anunciou a abertura de 5 milhões de hectares de terras federais (equivalente a 7 milhões de campos de futebol) para exploração, além da redução das taxas de royalties cobradas das empresas que extraem carvão. O corte nos encargos diminui o custo operacional das mineradoras e pode aumentar a margem de lucro dos projetos.
Departamento de Energia – Serão liberados US$ 625 milhões (cerca de R$ 3,2 bilhões pelo câmbio de hoje) para modernizar usinas a carvão já existentes, prolongando sua vida útil. A medida tende a gerar licitações e contratos para companhias de engenharia, manutenção e tecnologia.
Agência de Proteção Ambiental (EPA) – O órgão informou que revogará dezenas de regulações implementadas na gestão Biden que limitavam emissões de dióxido de carbono, mercúrio e outros poluentes. Também será revista a norma de controle de efluentes líquidos das usinas, considerada onerosa pelo setor.
Quem pode ganhar dinheiro
• Mineradores: Com mais áreas liberadas e royalties menores, o potencial de produção cresce, ampliando vagas e pagamento de overtime.
• Fornecedores de equipamentos: A injeção de capital nas usinas exige compra de máquinas, peças e serviços especializados.
• Profissionais autônomos: Engenheiros, soldadores, eletricistas e técnicos podem ser contratados para projetos de retrofit e expansão.
• Investidores: Empresas listadas na bolsa ligadas ao carvão podem ver aumento de receita caso o pacote impulsione a demanda.
Por que o plano foi lançado
Autoridades como Doug Burgum, secretário do Interior, afirmaram que o setor vinha “sob ataque” por regulações ambientais, resultando no fechamento de cerca de 100 usinas apenas no primeiro mandato de Trump. Hoje, o carvão responde por 16% da eletricidade gerada nos EUA, contra quase 50% em meados dos anos 2000.
O governo argumenta que manter parte dessa matriz é estratégico para evitar riscos de apagão em períodos de pico – um estudo do Departamento de Energia indicou maior vulnerabilidade da rede caso muitas térmicas sejam aposentadas simultaneamente.
Imagem: Internet
A perspectiva de demanda adicional por eletricidade, puxada por data centers e aplicações de inteligência artificial, também foi usada como justificativa para prolongar a operação das unidades a carvão.
Calendário e próximos passos
Segundo o secretário de Energia Chris Wright, novas ordens de emergência para impedir o desligamento de usinas podem ser emitidas nos próximos meses. Já mais de 100 usinas anunciaram planos de aposentadoria até o fim do atual mandato, o que indica um cronograma limitado para quem busca contratos ou vagas temporárias.
O pacote ainda precisa passar por etapas de consulta pública e ajustes orçamentários, mas, se implementado, pode redistribuir bilhões de dólares em investimentos e folhas de pagamento na economia local.
Com informações de InfoMoney
Compartilhe este conteúdo:



