Mudança no Palácio dos Bandeirantes pode aquecer contratos de viaturas e obras; fornecedores já fazem contas

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), passou a admitir nos bastidores a possibilidade de disputar o governo paulista caso Tarcísio de Freitas (Republicanos) concorra à Presidência da República em 2026. A movimentação mexe diretamente com o cronograma de compras de viaturas, motos e a inauguração de novos batalhões da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, investimentos que movimentam fornecedores e empresas de serviços terceirizados.

Segundo duas fontes que conversaram com Derrite, a disposição do secretário em trocar a corrida ao Senado pelo comando do Estado ganhou força porque ele acredita contar com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O Palácio dos Bandeirantes, porém, segue negando publicamente a mudança de planos: em nota, a assessoria de Derrite reafirmou que o foco oficial continua sendo o Senado.

Por que o mercado de segurança está de olho

Nos bastidores, deputados e dirigentes partidários lembram que Derrite tem em mãos uma agenda robusta de entregas até o início de 2026, incluindo:

  • Compra de novas viaturas e motocicletas para a Polícia Militar;
  • Inauguração de batalhões da PM e do Corpo de Bombeiros;
  • Projetos legislativos sobre endurecimento do sistema de justiça criminal.

Essas frentes representam licitações públicas e possíveis contratações de serviços que costumam atrair empresas fornecedoras de veículos especiais, blindagem, manutenção e obras civis — um nicho que pode abrir oportunidades de faturamento extra para quem atua ou deseja entrar no fornecimento para o setor público.

Calendário eleitoral define ritmo dos gastos

Por lei, Derrite só precisaria deixar o cargo em abril de 2026 para concorrer. Até lá, permanecer como secretário garantiria a ele comando sobre a execução orçamentária da Segurança Pública e, consequentemente, influência sobre o andamento das licitações. A eventual saída antecipada, cogitada por aliados para que ele retomasse o mandato de deputado federal e relatasse projetos de lei na Câmara, foi descartada após jantar político realizado em 22 de julho.

No encontro — que contou com Tarcísio, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e cúpulas da PM e da Polícia Civil —, decidiu-se manter Derrite no cargo justamente para não interromper as entregas previstas. Para fornecedores, isso significa que o calendário de contratações do Estado tende a ser cumprido, a menos que o cenário eleitoral force nova troca de planos.

Outros nomes na disputa e impacto fiscal

Além de Derrite, são citados como possíveis candidatos ao governo de São Paulo o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB), o vice-governador Felício Ramuth (PSD), o presidente da Alesp André do Prado (PL) e o secretário de Governo Gilberto Kassab. Cada um deles tem prioridades diferentes para o orçamento estadual, o que pode alterar o fluxo de investimentos em segurança e, por consequência, as oportunidades de contrato que o setor privado monitora.

Enquanto a definição não ocorre, empresas interessadas em fornecer equipamentos, tecnologia ou obras relacionadas à Segurança Pública paulista acompanham a movimentação política de perto. Qualquer mudança de comando pode redefinir prazos, valores e diretrizes, impactando diretamente quem busca novas fontes de receita junto ao Estado.

Com informações de InfoMoney

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