Trump sinaliza trégua com Lula após lobby da JBS e acende novo alerta financeiro para quem lucra com exportação de carne
Quem investe em frigoríficos brasileiros ou depende da exportação de carne para os Estados Unidos ganhou um novo ponto de atenção. Três semanas antes de Donald Trump, atual presidente norte-americano, surpreender ao elogiar Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia-Geral da ONU, o coproprietário da JBS, Joesley Batista, realizou uma reunião privada com o republicano, segundo três fontes ouvidas pela Reuters.
O encontro, ocorrido após a Casa Branca anunciar em julho tarifas extras de 50% sobre a maioria das importações brasileiras, inclusive carne bovina, buscou demonstrar a Trump que o imposto tornaria o produto “caro demais” para o consumidor dos EUA. A medida impacta diretamente empresas listadas em Bolsa, como a própria JBS e sua controlada norte-americana Pilgrim’s Pride, pressionando margens e dividendos.
Por que isso importa para o bolso do brasileiro
• Cadeia de valor: custos mais altos nos EUA podem reduzir pedidos e afetar receitas das companhias brasileiras exportadoras.
• Ações em NY: em junho, a JBS passou a negociar também nos Estados Unidos, ampliando a exposição do papel às decisões da Casa Branca.
• Doações políticas: a Pilgrim’s Pride doou US$ 5 milhões ao Comitê Inaugural Trump-Vance, evidenciando o peso econômico do setor no debate eleitoral americano.
Como a política entrou na conta
De acordo com a Casa Branca, as tarifas foram uma retaliação ao que Trump classificou como “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado neste mês por tentativa de golpe de Estado. A aproximação com Lula na ONU, contudo, sinaliza possível reavaliação da sobretaxa.
“Tivemos uma boa conversa e concordamos em nos encontrar na próxima semana”, disse Trump, referindo-se ao presidente brasileiro. O diálogo de 39 segundos, nas palavras do líder norte-americano, foi descrito como de “excelente química”.
Lobby também partiu de outros setores
• Embraer: o CEO Francisco Gomes Neto revelou tentar agenda própria em Washington. A fabricante conseguiu isenção para peças de avião da tarifa de 50%, mas segue sujeita a 10% em outros produtos.
• Empresários brasileiros: diferentes executivos multiplicaram viagens aos EUA para pedir a redução dos novos impostos, temendo impacto na geração de caixa e, consequentemente, na distribuição de lucros.
Imagem: Internet
Histórico de relações com Lula
Joesley e o irmão Wesley Batista já apareceram publicamente ao lado de Lula, que, em administrações passadas, facilitou via BNDES os financiamentos que impulsionaram a JBS ao posto de maior frigorífico do mundo. Posteriormente, os irmãos admitiram pagamento de propina a cerca de 1.800 políticos durante investigação anticorrupção.
Sem detalhar agenda, Lula disse em Nova York estar disposto a um encontro frente a frente com Trump: “O que antes parecia impossível passou a ser possível”. Nenhum dos governos divulgou a data.
Com informações de InfoMoney
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