45% das famílias recusam doação de órgãos e ampliam pressão sobre os recursos públicos destinados a transplantes

O Ministério da Saúde informou que 45% das famílias brasileiras ainda dizem “não” quando são consultadas sobre a doação de órgãos de um parente com morte cerebral. O índice de negativa freia parte dos procedimentos do maior sistema público de transplantes do mundo e mantém 80 mil pessoas na fila de espera, gerando pressão adicional sobre os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).

O dado foi apresentado durante o lançamento da campanha “Você diz sim, o Brasil inteiro agradece”, realizado nesta quinta-feira (28) no Hospital do Rim, em São Paulo. A iniciativa reforça a necessidade de que cada cidadão comunique previamente sua família sobre o desejo de ser doador, medida considerada essencial para reduzir o índice de recusa e, consequentemente, otimizar o emprego de verbas públicas destinadas aos transplantes.

De acordo com José Medina Pestana, superintendente do Hospital do Rim, a principal razão para a negativa familiar é a falta de conversa prévia do potencial doador sobre o tema. Sem essa manifestação em vida, o consentimento cabe exclusivamente aos parentes, que muitas vezes optam por não autorizar o procedimento.

Nova política nacional para o setor

No mesmo evento, o Ministério da Saúde assinou a portaria que institui a Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT). Trata-se da primeira normativa específica desde a criação do sistema, em 1997. A formalização tem objetivo de dar previsibilidade ao fluxo de recursos e de padronizar protocolos, fatores que podem contribuir para maior eficiência financeira do programa.

Com a PNDT e a nova campanha, a pasta espera diminuir a fila de 80 mil pacientes e aproveitar de forma mais racional cada investimento público feito no segmento de transplantes.

Com informações de InfoMoney

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