Empresário preso por fraude no INSS diz que sua “renda extra” veio de 47 anos de trabalho honesto

Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pela Polícia Federal como um dos articuladores do esquema que desviou recursos de aposentadorias e pensões, prestou depoimento na manhã desta quinta-feira (25) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Preso desde março, o empresário negou qualquer ilegalidade em suas fontes de renda e rejeitou o apelido de “Careca do INSS”.

“Jamais fui esse personagem fictício. Minha prosperidade é fruto de 47 anos de trabalho, resiliência e determinação”, afirmou, ressaltando que suas empresas teriam apenas prestado serviços a associações de segurados como forma legítima de monetização.

Maior roubo a aposentados?

Apesar da defesa, parlamentares insistiram no vínculo de Antunes com o suposto esquema de fraudes que drenou recursos destinados a aposentados, grupo que depende dos benefícios como principal fonte de renda. O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), classificou o caso como “o maior roubo aos aposentados já registrado”.

O advogado do empresário, Cleber Lopes, interrompeu a sessão após a declaração, gerando discussão com o deputado Zé Trovão (PL-SC). O vice-presidente da CPMI, Duarte Jr. (PSB-MA), suspendeu os trabalhos por alguns minutos.

Silêncio estratégico

Amparado por habeas corpus, Antunes usou o direito de permanecer em silêncio diante de perguntas que pudessem implicá-lo criminalmente. Segundo ele, a investigação já o teria condenado “sem ouvi-lo” em outras ocasiões.

Ativos e patrimônio

Questionado sobre a origem de seu patrimônio, Antunes declarou não possuir bens ocultos no Brasil nem no exterior. “Nunca construí fortuna com dinheiro de aposentado”, reforçou. Ele também defendeu que toda sua trajetória como empreendedor no setor de serviços foi documentada e tributada.

A CPMI seguirá colhendo depoimentos de executivos e ex-servidores ligados às entidades investigadas para mapear o caminho do dinheiro. A comissão quer saber como recursos destinados a benefícios viraram suposta renda extra ilícita para os envolvidos e qual o impacto financeiro direto sobre os cofres da Previdência Social.

Até o momento, a Polícia Federal calcula que o esquema provocou prejuízo milionário ao INSS, afetando diretamente milhares de beneficiários.

Com informações de InfoMoney

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