Empréstimo de R$ 80 mi com poder de veto revela bastidores da disputa por R$ 1,17 bilhão no futebol brasileiro

Em meio à negociação bilionária dos direitos de transmissão do Brasileirão, a presidente do Palmeiras e dona da Crefisa, Leila Pereira, reforçou nesta quarta-feira (10) que o empréstimo de R$ 80 milhões concedido pela financeira ao Vasco SAF não significa intenção de compra do clube. O acordo, contudo, garante à Crefisa poder de veto em futuras vendas de participação da SAF, mecanismo que ilustra como investidores privados buscam retorno e controle em operações de capital no esporte.

Quem está envolvido

Leila Pereira (Palmeiras/Crefisa) e Luiz Eduardo Baptista, o Bap (Flamengo) protagonizaram a troca de acusações após reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo, na terça-feira (9). Bap criticou clubes da Libra – bloco que negocia coletivamente os direitos de TV até 2029 – e citou o empréstimo ao Vasco como suposto indício de compra da SAF.

O que foi dito

Não estou comprando o Vasco, nem a Netflix”, retrucou Leila. A menção à plataforma de streaming faz referência a declaração de Bap, ainda na época de executivo da Sky, sobre a possibilidade de adquirir a concorrente se “atrapalhasse” o negócio.

Como funciona o empréstimo que garante veto

Segundo documento revelado na semana passada, a Crefisa liberará R$ 80 milhões ao Vasco SAF. Em troca, passa a ter direito de veto caso o clube queira vender nova fatia acionária ou trazer outro investidor. O modelo protege o capital emprestado e assegura influência sobre eventuais distribuições de receita, prática comum em operações de crédito estruturado.

Disputa por receitas de TV

Paralelamente, Flamengo, Palmeiras e demais equipes da Libra discutem a divisão do contrato com a Globo, avaliado em R$ 1,17 bilhão por ano mais variável do pay-per-view Premiere. A fórmula atual prevê:

  • 40% igualmente entre os clubes da Série A;
  • 30% conforme posição na tabela;
  • 30% por audiência.

O Flamengo conseguiu bloqueio judicial de R$ 77 milhões destinados às outras equipes, alegando que o critério de audiência não remunera adequadamente seu potencial de receita. O Palmeiras estuda ação para acessar o montante já depositado pela emissora.

Por que isso importa para as finanças dos clubes

O bloqueio temporário afeta o fluxo de caixa de 16 times, que contavam com a parcela antecipada de R$ 76,6 milhões recebida em julho e outras duas previstas. A incerteza pressiona dirigentes a buscarem fontes alternativas de capital, como empréstimos estruturados com garantias semelhantes às do acordo Crefisa–Vasco.

Até o momento, o Flamengo afirma que permanecerá na Libra ao menos até 2029, enquanto outras equipes cogitam medidas para retirar o clube rubro-negro do bloco caso o impasse financeiro persista.

Com informações de InfoMoney

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