Isenção de IR até R$ 5 mil promete mais dinheiro no bolso, mas dívidas podem engolir o alívio, apontam economistas

Quem ganha até R$ 5 mil por mês pode ver um respiro imediato no orçamento caso a ampliação da isenção do Imposto de Renda saia do papel. O tema, que movimenta Brasília e interessa diretamente a trabalhadores em busca de mais folga financeira, foi analisado por economistas que enxergam impactos limitados sobre consumo e inflação, mas reforçam um alerta: o alto endividamento das famílias pode neutralizar parte desse ganho potencial.

O que está em debate

A proposta de elevar a faixa de isenção para salários de até R$ 5 mil mensais volta ao centro das discussões econômicas. O objetivo oficial do governo é promover justiça tributária, mas, para quem busca renda extra ou simplesmente aumentar a liquidez do mês, a mudança representaria menos imposto retido na fonte e, portanto, mais dinheiro disponível imediatamente.

Por que o impacto pode ser menor que o esperado

Três fatores ajudam a explicar a cautela de especialistas:

1. Câmbio valorizado: Igor Rocha, economista-chefe da Fiesp, lembra que a cotação do dólar em patamar mais baixo vem segurando a inflação, tornando o efeito da demanda adicional menos relevante.

2. Endividamento elevado: André Perfeito, fundador da APCE, destaca que muitas famílias estão alavancadas. Assim, boa parte do dinheiro liberado pela isenção tende a ser direcionada ao pagamento de dívidas, em vez de estimular novas compras.

3. Capacidade ociosa na indústria: com o Nuci da indústria paulista em 79,4%, há espaço para aumentar a produção sem repassar preços, o que reduz o risco de pressões inflacionárias caso o consumo realmente cresça.

Quanto dinheiro pode sobrar

Embora o cálculo exato dependa da tabela final aprovada, a expectativa é de que trabalhadores nessa faixa salarial deixem de recolher entre R$ 100 e R$ 400 por mês, valor que pode ser redirecionado para:

  • Quitar débitos em atraso e reduzir juros;
  • Formar reserva de emergência;
  • Investir em fontes de renda passiva, como Tesouro Direto ou fundos imobiliários.

Efeito sobre o plano do Banco Central

Mesmo com possível aumento de liquidez nos lares, Rocha avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) não deverá alterar sua estratégia de cortes graduais na Selic. Segundo ele, a combinação de câmbio favorável e capacidade ociosa dá margem para manter a inflação sob controle.

O que observar a seguir

O projeto segue em discussão no Congresso e concorre com outra proposta em tramitação no Senado. Enquanto não há definição, especialistas recomendam que os trabalhadores planejem desde já o destino do eventual dinheiro extra, priorizando a redução de dívidas para, só depois, pensar em investimentos.

O debate prossegue, e qualquer avanço na pauta pode representar um fôlego importante para quem procura equilibrar o orçamento ou dar o primeiro passo rumo à independência financeira.

Com informações de InfoMoney

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