Pontos viram dinheiro: programas de milhas já rendem R$ 5,8 bi e se tornam atalho para economizar e faturar

São Paulo, 2025 – Transformar compras cotidianas em descontos, passagens ou até em dinheiro passou a ser uma estratégia crescente entre brasileiros que buscam reforçar o orçamento. Dados da Associação Brasileira de Empresas do Mercado de Fidelização (Abemf) mostram que os programas de pontos e milhas somaram 333,8 milhões de cadastros no primeiro trimestre de 2025, alta de 6,2% sobre igual período de 2024, e geraram faturamento de R$ 5,8 bilhões, avanço de 11%.

Milhas além das viagens

Embora 73,6% dos resgates ainda terminem em passagens aéreas, mais de 92% dos pontos são gerados fora do setor de turismo, principalmente em compras no varejo, bancos, indústria e serviços. Isso indica que o acúmulo de milhas deixou de depender de viagens e passou a recompensar gastos do dia a dia, como combustível ou material de construção, ampliando o potencial de economia e renda extra.

Ecossistema bancário acelera pontuação

Segundo Juliana Assad, responsável pelo programa Esfera do Santander, o cliente “pontua” desde a compra de um sabão em pó até a de um smartphone. Clubes de assinatura oferecem bônus adicionais, estratégia que impulsiona o engajamento de quem quer juntar pontos mais rápido para revender milhas ou reduzir despesas futuras.

Cartão ainda lidera, mas Pix ganha espaço

O diretor de cartões do Santander, Gustavo Santos, afirma que o cartão de crédito continua como principal canal de geração de pontos. Contudo, a instituição prepara iniciativas para remunerar também transações via Pix e outras formas de relacionamento, elevando o retorno para o usuário e, consequentemente, a fidelização.

Consumidor informado, ganhos maiores

Para o educador financeiro e autor do livro “O Mapa para acumular 1 milhão de milhas”, Rodrigo Góes, entender as regras dos programas é essencial. Ele lembra que, muitas vezes, converter pontos em milhas para venda ou emissão de passagens rende mais do que gastá-los em catálogos de produtos, onde o valor costuma ser menor.

Base diversificada e em expansão

Os cadastros revelam participação equilibrada: 51% homens e 49% mulheres. A maior fatia (35%) tem entre 26 e 40 anos; outra parcela relevante (34%) está na faixa de 41 a 60 anos. Em média, cada pessoa participa de oito programas, mas ainda concentra pouco do consumo em um único cartão, cenário que tende a mudar com a consolidação das plataformas e regras mais transparentes.

IA promete hiperpersonalização

Empresas do setor investem em inteligência artificial para criar ofertas sob medida, cruzando dados de gasto, comportamento e redes sociais. A meta é transformar pontos em uma “moeda” cotidiana, ampliando as chances de o usuário economizar ou lucrar ao negociar milhas.

Com faturamento recorde de R$ 21,9 bilhões em 2024 e resgate de 219,8 bilhões de pontos apenas no primeiro trimestre de 2025, especialistas projetam expansão contínua. Para quem busca renda extra ou alívio nas despesas, acompanhar promoções, concentrar gastos e aproveitar parcerias seguem como caminhos rápidos para multiplicar vantagens.

Com informações de InfoMoney

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