Dólar mais fraco cria janela de ganho em ouro e mercados emergentes, indica ex-BC

Investidores em busca de novas fontes de renda têm no radar dois ativos que voltam a brilhar: ouro e bolsas de países emergentes. A avaliação é de Bruno Serra, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central do Brasil e atual CIO do fundo Itaú Janeiro, ao comentar as mudanças causadas pelo enfraquecimento do Federal Reserve (Fed) e pela rápida adoção da inteligência artificial (IA) na economia global.

Quem está dizendo?

Bruno Serra, que comandou a área de política monetária do BC brasileiro até 2022, participou do podcast Stock Pickers, do InfoMoney, detalhando como os movimentos recentes do Fed e o avanço da IA afetam decisões de alocação de capital.

O que está acontecendo?

Segundo o gestor, o aumento da interferência política nas instituições norte-americanas e a incerteza sobre a sucessão no comando do Fed geram dúvidas sobre a solidez do dólar. “Quando o Fed se fragiliza, a moeda também tende a enfraquecer. Isso muda completamente a dinâmica de para onde o dinheiro flui”, afirmou.

Por que isso interessa ao bolso?

Ouro em alta: A percepção de deterioração institucional nos EUA impulsiona a busca por ativos de proteção. Com a confiança menor no dólar, o metal precioso ganha demanda e pode oferecer retorno adicional ou proteção de patrimônio.
Mercados emergentes: Um dólar mais fraco favorece a entrada de fluxo em bolsas de países como Brasil, México e Colômbia, além de apoiar cortes de juros nessas economias, cenário que costuma valorizar ações e títulos locais.

Como a IA entra na equação?

Serra destaca que a automação pressiona o mercado de trabalho, sobretudo no setor de tecnologia, o que pode forçar o Fed a manter juros mais baixos por mais tempo. “As big techs, que foram grandes contratantes, já começam a demitir. A inteligência artificial muda a dinâmica do emprego e, quando o Fed perceber o impacto, terá de reagir”, explicou.

Impacto na curva de juros americana

O CIO prevê que o ciclo de juros de longo prazo nos EUA deve permanecer inclinado, reforçando a atratividade de ativos fora da renda fixa norte-americana. “O jogo mudou. O dinheiro que antes ia naturalmente para a renda fixa americana hoje é questionado”, disse.

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Imagem: Internet

Oportunidades fora dos EUA

• Na América Latina, a combinação de menor inflação e entrada de capital externo cria ambiente positivo para renda variável.
• Na Ásia, exportações de bens mais baratos ajudam a reduzir pressões inflacionárias em outras regiões, fortalecendo o cenário para cortes de juros globais.

E o Brasil?

Embora veja potencial no país, Serra mantém cautela por ser ano eleitoral. Ainda assim, lembra que o Brasil tem peso relevante em índices de mercados emergentes, o que tende a atrair atenção de investidores internacionais.

Para quem busca diversificar renda, o gestor recomenda monitorar de perto a trajetória do dólar, a curva de juros dos EUA e o avanço da IA como vetores decisivos para ganhos com ouro e ativos emergentes nos próximos trimestres.

Com informações de InfoMoney

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